ESG – Principais Frameworks

ESG na Construção Civil - boas práticas

Qual é a diferença entre os conceitos de Sustentabilidade e ESG?

Sustentabilidade é um conceito mais amplo e estratégico, que elabora uma visão e uma lógica de longo prazo, norteando decisões e metas relacionadas ao equilíbrio entre aspectos ambientais, sociais e econômicos. ESG é um conceito mais voltado à operação e define um conjunto de práticas e critérios de monitoramento e controle usados para implementar e avaliar ações dentro da visão e lógica da Sustentabilidade.

De forma simplificada: Sustentabilidade é um conceito que estabelece diretrizes e metas e ESG é um conceito que estabelece práticas e indicadores.

Por que o ESG se tornou uma exigência estratégica?

Desde sua origem o ESG foi concebido para ser um direcionador dos propósitos e estratégias de uma empresa e vem daí a sua força e relevância. Por isso, é um  equívoco fragmentar o ESG vendo-o como uma série de ações de responsabilidade ambiental e social independentes ou isoladas das operações da empresa.

Empresas que adotam os critérios ESG em sua estratégia:

  • Concebem modelos de negócios, produtos e serviços mais sintonizados com a realidade sempre em transformação do mundo contemporâneo.
  • Aprimoram dinamicamente as relações com stakeholders, o que as capacita a melhorar a gestão de riscos e aproveitar tempestivamente as oportunidades.
  • Promovem a inovação de operações e processos.
  • Reduzem custos operacionais (eficiência energética, por exemplo)
  • Têm melhor acesso a aporte direto de capital e a outras formas de investimentos.
  • Atraem e retêm talentos (principalmente entre os mais jovens).

Além disso, o ESG tornou-se estratégico porque:

  • Investidores e instituições financeiras passaram a exigir critérios ESG na tomada de decisão de investimento e priorizando investimentos em empresas com práticas sustentáveis. Empresas que demonstram boa performance ESG são vistas como menos arriscadas, mais resilientes e mais preparadas para o futuro.
  • Os consumidores estão mais conscientes e exigem que as empresas atuem de forma ética, transparente e sustentável. Marcas que ignoram essas demandas perdem reputação, mercado e relevância.
  • Surgiram marcos regulatórios, acordos, tratados e normas técnicas internacionais sobre ESG

O que é e quais são os principais frameworks ESG?

Um framework ESG é um modelo, padrão ou norma estruturado de diretrizes, princípios e indicadores que orienta como uma empresa deve gerenciar,  medir e comunicar suas práticas ambientais, sociais e de governança. Em outras palavras, é um guia metodológico que ajuda as empresas na arte de transformar seus compromissos ESG em ações mensuráveis e relatórios transparentes e comparáveis uns com os outros.

Os principais frameworks ESG são os seguintes;

  • GRI – Global Reporting Initiative

As normas GRI orientam a elaboração de relatórios de sustentabilidade que mostrem seus impactos econômicos, ambientais e sociais. É o framework mais utilizado no mundo para reportar práticas ESG e se baseia no conceito de “materialidade de impacto”, ou seja, naquilo que é mais relevante para a sociedade e o meio ambiente, não apenas para o negócio.

  • SASB – Sustainability Accounting Standards Board

O SASB  é um framework de reporte ESG com foco na relevância financeira. Foi criado para ajudar investidores e empresas a entenderem como questões ambientais, sociais e de governança impactam o desempenho econômico e financeiro de uma empresa. Assim, ele é complementar à GRI cujo foco é o impacto da empresa sobre a sociedade e o meio ambiente). O SASB estabelece 77 padrões setoriais, permitindo que empresas reportem os fatores ESG mais relevantes para seu setor.

  • ISSB – International Sustainability Standards Board (IFRS S1 e S2)

O ISSB é um conselho internacional criado pela IFRS Foundation com o objetivo de desenvolver padrões globais de reporte de sustentabilidade que integrem informações financeiras e ESG de forma consistente e comparável entre empresas e mercados. Seus objetivos são:

  • Reduzir a fragmentação de frameworks ESG, unificando padrões de reporte globalmente para relatórios de sustentabilidade, alinhando práticas ESG com a linguagem contábil internacional (IFRS).
  • Ajudar investidores, credores e outros stakeholders a entender riscos e oportunidades ambientais, sociais e de governança que impactam a performance financeira.

O ISSB desenvolveu atualmente dois principais padrões, conhecidos como IFRS S1 e IFRS S2:

  • IFRS S1 – General Sustainability-related Disclosures
    • Padrão geral para divulgação de informações de sustentabilidade.
    • Define informações essenciais que todas as empresas devem reportar, independentemente do setor.
    • Foco em: governança, estratégia, gestão de riscos e métricas gerais de ESG.
  • IFRS S2 – Climate-related Disclosures
    • Específico para divulgação de riscos e oportunidades climáticas, baseado no TCFD.
    • Define métricas e relatórios relacionados a emissões de gases de efeito estufa (Escopos 1, 2 e 3), metas de redução de carbono, resiliência climática e impactos financeiros do clima.

Nota: O ISSB e a SASB estão estrategicamente conectados, pois ambos tratam da divulgação de informações ESG com foco em relevância financeira, mas em contextos diferentes.

  • SASB: fornece métricas detalhadas por setor, voltadas para investidores, focando em como ESG impacta financeiramente a empresa. Empresas que adotam SASB têm facilidade para migrar ou integrar seus relatórios aos padrões ISSB, pois muitos indicadores e metodologias já estão alinhados.
  • ISSB: cria um padrão global unificado, incorporando essas métricas SASB dentro de uma estrutura contábil consistente com o IFRS, tornando-as obrigatórias ou recomendadas para reporte financeiro global. Ele amplia o alcance do SASB por meio de padrões mais comparáveis entre países e setores.
  • CFD – Task Force on Climate-related Financial Disclosures

O TCFD é um framework que ajuda empresas a integrar mudanças climáticas na sua governança e estratégias. Ele estabelece diretrizes para a divulgação de ameaças e oportunidades relacionados ao clima, especialmente aqueles que podem impactar sua performance financeira. O principal objetivo é aumentar a transparência sobre riscos climáticos e ajudar investidores, credores e seguradoras a tomar decisões mais informadas, integrando questões climáticas à gestão de riscos e à estratégia empresarial.

  • CDP – Carbon Disclosure Project

O CDP é um framework de reporte ambiental, ajudando empresas, governos e investidores a medir, divulgar e gerenciar impactos ambientais, principalmente relacionados a clima, água e floresta. Ele possibilita que investidores e demais stakeholders compreendam os riscos e oportunidades ambientais associados às operações de uma empresa e, deste modo, incentiva as empresas a tomarem decisões estratégicas para reduzir seus impactos ambientais, gerenciando melhor os recursos naturais e mitigando riscos climáticos.

Importante: Os frameworks ESG não são concorrentes, mas complementares. Empresas maduras em ESG geralmente combinam dois ou mais frameworks, para atender simultaneamente stakeholders, reguladores e investidores.

  • A GRI foca transparência e impacto social.
  • O SASB e o ISSB traduzem ESG para a linguagem dos investidores.
  • O TCFD e o CDP aprofundam o tema climático e ambiental.
Quality Way

Conheça também os setores que estão liderando as iniciativas ESG no Brasil e os resultados da pesquisa da CNI – Confederação Nacional da Industria a este respeito 

https://qualityway.com.br/setores-que-lideram-as-boas-praticas-esg/

Setores que Lideram as Boas Práticas ESG

A sigla ESG foi criada em 2004. Desde então,  coisas relevantes continuarão sendo feitas em benefício do planeta, seres humanos, empresas e economia. Após 21 anos,  o movimento ESG revela uma maturidade e uma força animadoras, quem ainda pensa que ele é um modismo, está mal informado.

No Brasil, o ESG aportou devido a: (i) pressão de investidores e mercados globais (em especial a União Europeia) que passaram a exigir evidências de boas práticas, análises de riscos sociais e ambientais,  relatórios de sustentabilidade transparentes; (ii)  atualização da legislação, acordos internacionais e compromissos climáticos; e, claro, (iii) a crescente conscientização das pessoas, da sociedade e dos líderes empresariais.

Por conta disto, estamos assistindo a um movimento crescente, e irreversível, de adoção de uma agenda ESG por praticamente todos os setores da nossa indústria. Entretanto:

  • Esse avanço é mais consistente e visível nas grandes empresas, especialmente as que estão na bolsa ou atuam em vários países, é preciso lembrar que algumas delas adotam práticas de proteção ao meio ambiente mesmo antes do surgimento da sigla ESG, porém, isto era feito de forma pontual e não como parte de uma agenda estratégica, estruturada e integrada.
  • As médias e pequenas empresas enfrentam várias situações e dificuldades para adotar práticas ESG, entre as quais se destacam:
    • falta de recursos financeiros: adotar práticas ESG exige investimento em aprendizado, consultorias, novas tecnologias, certificações, melhorias operacionais etc., e o retorno é de médio e longo prazos;
    • cultura organizacional resistente a mudanças e/ou que mantém o foco na sobrevivência ); 
    • inexistência de áreas e profissionais especializados em governança e sustentabilidade – por conta disso, os gestores têm grande dificuldade para transformar os propósitos e conceitos ESG em diretrizes e práticas plenamente integradas ao cotidiano das empresas;
    • falta de um método para medir e avaliar – de forma integrada e consistente – os riscos e os impactos ambientais, sociais e de governança;
    • falta de pressão externa: geralmente, médias e pequenas empresas não têm acionistas, investidores ou órgãos reguladores exigindo transparência ESG.  E, por fim,
    • muitos gestores de médias e pequenas empresas ainda não compreendem inteiramente o que significa ESG – há quem categorize o ESG como custo e que sua adoção impacta pouco as estratégias, os resultados e o valor da empresa.

Setores que lideram as boas práticas ESG

A adoção de práticas ESG pela indústria brasileira vem crescendo de forma consistente, porém, alguns setores, impulsionados por exigências regulatórias, oportunidades de mercado e pela pressão de investidores, estão à frente: agroindústria, construção civil, energia, mineração, papel e celulose, e químico e cosméticos.

Agroindústria: O agronegócio brasileiro vem adotando práticas de agricultura regenerativa, que restauram o solo, conservam a água e ampliam a biodiversidade. Além disso, tecnologias de ponta estão sendo usadas para reduzir emissões de gases de efeito estufa e melhorar a eficiência produtiva. No pilar social, o foco é o bem-estar do trabalhador rural e a inclusão das comunidades locais, reforçando um modelo de desenvolvimento mais humano e sustentável no campo.

Construção civil: Este setor vem se reinventando com materiais de baixo impacto, como bioconcreto, bambu, alumínio transparente e cimento de baixo carbono. As construções modulares pré-fabricadas ganham espaço por reduzir desperdícios e acelerar obras sustentáveis. Edifícios inteligentes, capazes de monitorar consumo e emissões em tempo real, tornam-se o novo padrão. Paralelamente, cresce o compromisso com condições justas e seguras de trabalho, ampliando o impacto positivo do setor.

Energia: Este é o setor mais avançado em ESG no Brasil. A combinação entre forte regulação, pesquisa tecnológica e investimentos em renováveis — especialmente eólica, solar e biomassa — vem impulsionando a transição para uma matriz mais limpa. A busca por eficiência energética e o uso de tecnologias de controle ambiental colocam o país entre as referências globais em inovação sustentável no setor.

Mineração: Historicamente vista como vilã ambiental, as indústrias mineradoras estão adotando metas de carbono zero, além de práticas para reduzir gases tóxicos e gerir rejeitos de forma sustentável. Certificações e adesão a normas internacionais de governança e responsabilidade social reforçam o compromisso com transparência e ética.

Papel e celulose: É um dos setores mais organizados em sustentabilidade; ele aposta na economia circular: energia renovável, reúso de água e, claro, aproveitamento de resíduos industriais como biomassa etc. As indústria também se destacam por projetos sociais estruturados e forte governança, que contribuem para o desenvolvimento das comunidades em que atuam e fortalecem sua imagem global.

Químico e cosméticos: Esta indústria avança com práticas de gestão de resíduos, controle de emissões e segurança química. Os investimentos em tecnologias limpas e processos eficientes visam reduzir o impacto ambiental e proteger a saúde dos trabalhadores. O setor também vem integrando critérios ESG à estratégia corporativa, em alinhamento com padrões internacionais.

Tendências ESG - Pesquisa CNI

A adoção de uma Agenda ESG (inovação tecnológica, biomassa, materiais sustentáveis, logística reversa e energias limpas, especialmente no Nordeste, onde as energias eólica e solar crescem acima da média nacional) se tornou estratégica para a indústria, promovendo ganhos de competitividade, redução de riscos e valorização da reputação (que dá acesso a melhores fontes de investimento).

Um estudo realizado em 2025 pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), com foco em Economia Circular, revelou que 71% das indústrias pesquisadas já implementam ou planejam estratégias ESG, mas existem desafios para facilitar a implantação de práticas mais sofisticadas em pequenas e médias empresas, por exemplo, maior acesso a crédito sustentável e incentivos regulatórios.

ESG - indicadores brasileiros

De acordo com este estudo:

  • Seis em cada dez indústrias adotam de práticas de economia circular: reciclagem de materiais, uso de matéria-prima secundária e desenvolvimento de produtos mais duráveis. Essas medidas resultam em diminuição de custos, valorização da imagem corporativa e estímulo à inovação, favorecendo setores como calçados, biocombustíveis, eletrônicos e papel;
  • Cerca de metade das indústrias brasileiras usa energia renovável, com destaque para o Nordeste, que lidera o uso dessas fontes. Essas ações colaboram para a redução da pegada de carbono e posicionam o Brasil como protagonista na transição para uma economia de baixo carbono;
  • A adoção de uma Agenda ESG pela indústria nacional fortalece o valor das empresas e isto facilita o acesso a financiamentos verdes e mercados internacionais;
  • As industrias são estimuladas por normas ambientais mais rigorosas e demandas da sociedade por responsabilidade social e ambiental. Eventos internacionais como a COP30 elevam expectativas e geram oportunidades de avanço para a indústria brasileira, destacando a necessidade de políticas públicas de apoio à sustentabilidade.

SAQ 5.0 na EDAG

SAQ 5.0 na EDAG - Avaliação de Sustentabilidade

Conforme você já leu em nosso artigo sobre o ESG e o SAQ 5.0, a sigla ESG, iniciais de “Environmental, Social e Governance” significa boas práticas ambientais, sociais e de governança, e é uma cultura que está sendo cada vez mais cobrada das empresas e da sociedade em geral, devido às mudanças climáticas, à urgência de combater as desigualdades sociais e todo tipo de discriminação e à necessidade de empresas e instituições terem mecanismos de controle para evitar corrupção, suborno e crimes do tipo. O tema vem ganhando cada vez mais relevância, já que as empresas estão sendo pressionadas por investidores, reguladores e consumidores a se tornarem mais responsáveis social e ambientalmente.

No caso da indústria automotiva, a adoção de práticas ESG é mensurada por meio do questionário SAQ 5.0, uma avaliação de sustentabilidade que mensura os aspectos relacionados a Gestão, Direitos Humanos e Condições de Trabalho, Saúde e Segurança, Ética nos Negócios, Meio Ambiente, Gestão Responsável da Cadeia de Suprimentos e Fornecimento Responsável de Matéria-Prima. A iniciativa é organizada pela Drive Sustainability, uma parceria entre grandes players do setor automotivo e que visa impulsionar a sustentabilidade em toda a cadeia de suprimentos automotiva.

Quality Way no SAQ 5.0 na EDAG

A Quality Way apoiou o projeto SAQ 5.0 na EDAG do Brasil, fazendo um trabalho de levantamento dos “gaps” em quesitos onde a empresa poderia melhorar sua pontuação no questionário SAQ 5.0, já que muitas vezes os clientes exigem um nível mínimo para continuar a fazer negócios com a empresa. 

O Grupo EDAG foi fundado em 1969 na Alemanha, possui mais de 60 filiais em 18 países e mais de 8 mil funcionários. A empresa fornece serviços de engenharia de mobilidade e soluções integradas para a indústria automotiva, desenvolvendo projetos de engenharia de veículos, softwares, digitalização, sistemas integrados, toda a parte elétrica e de segurança e projetos de plantas de produção. 

No Brasil, a EDAG está há 31 anos, têm sede em São Bernardo do Campo (SP), emprega mais de 200 funcionários e tem entre seus clientes Ford, GM, Volkswagen, BMW, Volvo e Nissan.

Na entrevista abaixo, o Diretor de Engenharia de Manufatura da EDAG do Brasil, Stefan Schramm, conta como foi o processo de preenchimento do questionário SAQ 5.0 e como a Quality Way ajudou a empresa a melhorar sua pontuação na plataforma. Confira!

Qual o histórico das práticas ESG na EDAG? Isso já fazia parte da cultura da empresa?

Stefan Schramm – Sim, sempre tivemos práticas de sustentabilidade e ESG, nos aspectos social, ambiental, direitos humanos e também de governança e compliance, inclusive já possuímos várias certificações ISO nessa área. Entretanto, algumas dessas práticas não estavam devidamente documentadas. O questionário SAQ 5.0 exige que você documente tudo isso, explique e prove como faz, demonstre o treinamento dos funcionários, entre outros aspectos mais detalhados. Não só os governos, mas também as montadoras estão exigindo várias dessas práticas e a documentação dessas práticas. Na Europa, estão se criando leis exigindo isso.

A empresa já tinha feito o SAQ 4.0, certo? O que motivou essa atualização para o SAQ 5.0 na EDAG?

A Volkswagen exigiu da EDAG o SAQ 5.0, inclusive estabelecendo uma pontuação mínima e um prazo, para continuarmos a fornecer para eles. Essas pontuações são estabelecidas pelos clientes para os fornecedores continuarem a serem parceiros das montadoras. Nós já tínhamos uma boa pontuação na versão 4.0, mas, ao migrar para a 5.0, é como subir a régua. Como alguns critérios mudam e as exigências aumentam, a simples migração da versão 4.0 para a 5.0 nos fez cair na pontuação. Ficamos abaixo da pontuação mínima exigida pela VW no Brasil, e além disso eles deram um prazo relativamente curto para nos adequarmos.

Em que momento a Quality Way entrou no projeto, e como ela ajudou a EDAG?

Nós já tínhamos trabalhado com a QW em outros projetos, e os consultores da empresa conheciam a maioria dos temas do SAQ. Nós sabíamos onde estávamos na 4.0, mas eles nos ajudaram a ver o que tínhamos que fazer para atingir a pontuação mínima nos principais quesitos, fazendo um “gap analysis” para a nova versão. Foi feito um estudo de cada seção / critério, verificando em quais aspectos era possível elevar a pontuação, por meio do detalhamento das práticas, ou de comprovação via documentação, e fomos priorizando o que era mais importante e exequível dentro do prazo exigido, desenhando um plano de ação para chegar lá.

Quais as principais dificuldades?

As dificuldades, no caso de uma multinacional, estão relacionadas à comunicação e padronização dentro do grupo, entre as várias filiais no mundo todo. Cada filial tem que fazer a sua qualificação no questionário, e na migração para a versão 5.0 foi tudo um pouco corrido, no início. Mas, com a coordenação da matriz na Alemanha e a consultoria da Quality Way, nós conseguimos finalizar o processo em aproximadamente três meses.

Como você avalia a experiência e os resultados obtidos?

Além de conseguirmos evoluir e melhorar nossa pontuação nos quesitos exigidos no SAQ 5.0, a experiência foi a melhor possível, porque um bom “efeito colateral” desse trabalho é que ele faz você rever processos internos, padronizações, documentações, sistema de gestão etc. Você acaba passando um pente fino em toda a empresa, revê com olhar crítico e atualiza uma série de processos e também repensa algumas áreas, às vezes. É um bom exercício para avaliar reestruturações, checar se o prédio, as instalações e os equipamentos estão de acordo.

Sem a Quality Way, vocês acham que teriam conseguido fazer esse trabalho?

Sim, até teríamos feito, mas tentar fazer isso sozinho levaria muito mais tempo, consumiria muito mais recursos e mão de obra. O diagnóstico e o “gap analysis” que os consultores fizeram nos ajudou muito a ser mais assertivos, a focar nos itens mais importantes, a conseguir fazer a adequação em menos tempo e com menos recursos. Outro detalhe é que o questionário é muito detalhado e envolve várias áreas da empresa, você pode estar bem pontuado em uma seção e não em outras, então tem que mobilizar várias pessoas. É bem mais complicado fazer isso sem ajuda.

O que você diria às empresas do setor que estão planejando responder o questionário SAQ 5.0?

Comece com antecedência, não deixe para a última hora, porque leva tempo. Se você não tem experiência, contrate uma consultoria, caso contrário, vai perder tempo, dinheiro e energia. Busque ajuda!

Entenda o que é o SAQ 5.0

O que é
O SAQ 5.0 é um questionário/ plataforma de avaliação em sustentabilidade (ESG) específico para empresas do setor automotivo. Não é uma certificação.

Como funciona?
Depois de responder um questionário detalhado, é gerado um relatório de classificação com uma pontuação (em %), em cada seção, e no geral. À medida que a empresa vai respondendo, podem ser solicitadas evidências e documentos que comprovem as práticas descritas.

Quais são os aspectos avaliados no questionário?
A pontuação geral é o conjunto de pontuações em cada seção de sustentabilidade que compõem o SAQ 5.0. As várias perguntas do questionário estão agrupadas em sete seções: administração da empresa, direitos humanos e condições de trabalho, saúde e segurança, ética empresarial, meio ambiente, gestão responsável da cadeia de suprimentos e fornecimento responsável de matérias-primas.

Como é a classificação?
A classificação SAQ 5.0 fornece um indicador de desempenho em comparação com os padrões da indústria, e também uma referência de desempenho em comparação com a indústria e país de localização. Não há uma “nota mínima” ou pontuação a ser atingida. Essa pontuação pode ser estabelecida por cada cliente a cada uma das empresas fornecedoras, e pode variar de país para país.

Saiba mais: https://supplierassurance.com/saq
https://www.drivesustainability.org/saq-5-0/

Desburocratização do RH

Desburocratização do RH

Tecnologias no RH

O avanço da tecnologia sempre teve um efeito dúbio nas pessoas. Ao mesmo tempo em que as novas ferramentas foram nos ajudando a automatizar tarefas repetitivas e braçais, nos libertando para dedicar mais tempo às atividades de planejamento e estratégia, também foi gerando o receio de que, com o tempo, cada vez mais trabalhadores poderiam ser substituídos por máquinas, softwares e aplicativos, gerando um crescente desemprego.

A novidade mais recente foi o alardeado lançamento do ChatGPT, uma ferramenta online de conversação e Inteligência Artificial desenvolvida pela empresa norte-americana OpenAI, que lançou uma versão gratuita e aberta ao público em novembro de 2022. 

Apesar do burburinho global, no entanto, por enquanto o ChatGPT é um banco de dados que não está conectado à internet e está atualizado apenas até setembro de 2021. Mesmo assim, é uma novidade e tanto e merece atenção, pois será aprimorado e vai fazer diferença na vida e no trabalho de muita gente.

As tecnologias no RH – ou melhor, Gestão de Pessoas – não é diferente. Os últimos avanços tecnológicos e a pandemia de COVID-19 mudaram profundamente a relação das pessoas com o trabalho. 

O estudo “The Journey to 2030”, da Deloitte, aponta que 77% dos funcionários americanos que trabalham remotamente dizem que são mais produtivos quando trabalham em casa, 80% deles dizem que o trabalho remoto é menos estressante e 53% consideram o horário flexível como o maior benefício. A mesma pesquisa mostra que 79% dos funcionários que confiam muito em seu empregador se sente motivado para trabalhar, enquanto apenas 29% dos que não confiam em seu empregador se sentem motivados.

O futuro do trabalho e o RH estratégico

Os dados acima mostram uma mudança no perfil da força de trabalho e nas relações entre empregador e empregado à qual as áreas de Recursos Humanos devem ficar atentas. 

Novos valores, além do salário e benefícios, estão ganhando mais espaço e peso na hora de aceitar e se manter em um emprego, como questões relacionadas à diversidade e inclusão, sistemas de trabalho híbridos, bem-estar, atração e retenção de talentos, benefícios personalizados, estratégias de remuneração equitativas e governança corporativa.

Uma pesquisa do Gartner com mais de 800 líderes de RH em 60 países mostrou que as prioridades da área para 2023 são a eficácia da liderança e gestão, a mudança organizacional, a experiência do funcionário, o recrutamento e o futuro do trabalho. 

Uma liderança humanizada, mais empática, autêntica e adaptável também está entre as tendências apontadas no estudo, mostrando que, para utilizar tecnologias no rh para automatizar processos como seleção, onboarding (integração) e offboarding (desligamento), treinamentos e avaliação de desempenho, entre outros, é preciso estar atento não só à eficácia das tecnologias aplicadas para automatizar esses processos, mas também à humanização, à personalização e à atenção dada a cada colaborador da empresa para que ele não se sinta apenas “mais um”, recebendo um tratamento mecânico, frio e que vai gerar uma experiência negativa. Nada pode substituir uma conversa ou uma entrevista presencial em um processo de seleção ou de avaliação, só para citar um exemplo.

Desburocratização do RH

Voltando ao ChatGPT, a ferramenta pode ser usada pelos profissionais de Gestão de Pessoas para ajudar a montar descritivos de cargos, pré-requisitos para vagas abertas, criar roteiros de entrevistas com candidatos, elaborar trilhas de treinamento, redigir comunicados e desenvolver questões para avaliar candidatos em processos seletivos, entre outras funções. 

Com isso, os profissionais da área ficam mais livres para pensar em questões estratégicas, como a cultura e o clima organizacional, os aspectos a considerar nas avaliações de desempenho, a definição de métricas e indicadores de RH, os planos de sucessão, atração e retenção de talentos e muitas outras questões.

O estudo “Modelos Operacionais de RH”, da consultoria Mercer, realizado com 857 pessoas em 39 países – 200 respondentes no Brasil -, apontou que 43% dos profissionais de RH ainda estão presos a atividades operacionais e burocráticas. 

Mesmo com o surgimento e a proliferação de tecnologias e novas ferramentas, apenas entre 5% e 7% do trabalho burocrático da área foi automatizado nos últimos anos. Menos de 20% das empresas utilizam aplicativos e sistemas que permitem aos gestores e colaboradores consultar informações e fazer solicitações de forma autônoma.

É preciso que os profissionais de RH se envolvam mais ativamente com essas tecnologias para aproveitar as ferramentas que já existem, pois é a única forma para dedicar menos tempo ao operacional e mais à parte estratégica. 

Já existem tecnologias disponíveis para isso, o que falta é dialogar com os profissionais de TI de igual para igual, saber quais ferramentas solicitar e aprender a utilizar esses recursos da forma mais eficiente.

O que pode ser automatizado

Inúmeros processos de RH podem e devem ser automatizados, liberando talentos e tempo de tarefas repetitivas, promovendo a desburocratização do RH. Entre os principais, estão a gestão de documentos, a admissão e os pagamentos.

A gestão de documentos feita manualmente é uma das atividades que mais toma o tempo do profissional de RH, já que a área lida com um grande volume de documentos confidenciais. Já o antigo processo de admissão analógico pode ser substituído pela admissão digital, com um sistema intuitivo e fácil de ser usado pelos colaboradores, garantindo a entrega dos documentos digitalizados e eliminando toda a papelada da contratação.

Por sua vez, o pagamento automático não permite atrasos no recebimento do salário pelo colaborador, e pode ser configurado de acordo com as informações estabelecidas pelos gestores, como data, valor, descontos etc.

As possibilidades são imensas e só tendem a se multiplicar daqui por diante. Nos próximos artigos, vamos nos aprofundar um pouco mais em algumas tendências no mundo do trabalho, mostrar o que pode ser automatizado e de que forma implementar essas tecnologias na sua empresa, tornando o RH mais estratégico.

A Quality Way dá todo o apoio às empresas em todas as fases de automatização do RH, desde o diagnóstico e avaliação inicial até a implementação de soluções sob medida para cada caso.

Quality Way

A Quality Way dá todo o apoio às empresas em todas as fases de automatização do RH, desde o diagnóstico e avaliação inicial até a implementação de soluções sob medida para cada caso.

Saiba mais: Transformação digital no RH: https://qualityway.com.br/transformacao-digital-no-rh/

ESG e SAQ 5.0

ESG e SAQ 5.0 + ABNT PR 2030

ESG e SAQ 5.0: O caminho para incorporar ESG ao seu negócio!

Muito mais do que uma simples sigla ou um modismo passageiro, como muitos podem pensar, o ESG chegou para ficar e ganha cada vez mais importância no mundo. As iniciais de “Environmental, Social e Governance”, traduzido para o português, significam boas práticas ambientais, sociais e de governança. É uma cultura que está sendo cada vez mais cobrada não só de empresas, mas da sociedade em geral, devido às mudanças climáticas, à urgência de combater as desigualdades sociais e todo tipo de discriminação e à necessidade de empresas e instituições terem mecanismos de controle para evitar corrupção, suborno e crimes do tipo.

O tema nasceu a partir da ideia de desenvolvimento sustentável, conceito anterior à década de 90, que sugeria um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a gestão dos investimentos e a reponsabilidade social deveriam ser preocupações permanentes, assegurando a sustentabilidade de uma empresa e negócios financeiramente viáveis, socialmente justos e ambientalmente responsáveis, conceito criado pelo sociólogo britânico John Elkington.

Desde então, o tema vem ganhando cada vez mais importância, já que as empresas estão sendo pressionadas por investidores, reguladores e consumidores a se tornarem mais responsáveis social e ambientalmente. Além disso, muitos estudos mostram que empresas que adotam práticas ESG tendem a ter um desempenho financeiro melhor no longo prazo.

Relatório da consultoria PwC mostrou que, até 2025, 57% dos ativos europeus estarão alocados em fundos que têm ESG e 77% dos investidores da região pretendem parar de comprar produtos não ESG nos próximos 2 anos. Uma pesquisa da Deloitte mostrou que 75% dos investidores globais aplicaram os indicadores ESG em pelo menos um quarto dos seus investimentos totais. A lista é crescente e os investidores estão cientes de que todas essas questões influenciam no valor de mercado e na avaliação de uma empresa.

O E, o S e o G

O fator E (ambiental) diz respeito a como uma empresa impacta o meio ambiente. Compreende suas emissões de gases, o uso eficiente de recursos naturais no processo, como faz logística, logística reversa, como trata seus resíduos, emissão de carbono e outros gases poluentes, eficiência energética etc.

Dentro do aspecto S (social), avalia-se a relação da empresa com seus colaboradores, clientes e sociedade. O impacto da empresa na comunidade, como faz a gestão de capital humano, como garante o equilíbrio de interesses, geração de emprego e renda, entre outros aspectos, incluindo os relacionados à diversidade e inclusão.
E o quesito G (governança corporativa) diz respeito às políticas de gestão da companhia, desde o conselho até políticas anticorrupção. Este pilar do ESG avalia as esferas administrativas e de gestão da empresa, considerando a independência e diversidade do conselho, política de remuneração dos altos cargos, transparência e ética da instituição. Além disso, também é responsável pela proteção de dados e privacidade das informações dos colaboradores, garantindo segurança e integridade aos dados deles.

A principal referência no Brasil sobre Governança é o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), que publica o “Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa”, que já está em sua 5ª edição. Saiba mais: https://conhecimento.ibgc.org.br/Paginas/Publicacao.aspx?PubId=21138

Como as empresas estão se adequando

De acordo com um estudo da consultoria KPMG, 76% das empresas brasileiras já incluem as práticas ESG em suas estratégias de negócio. No Brasil, um estudo da Grant Thornton Brasil, em parceria com a BR Rating, mostrou que 48% das empresas brasileiras de capital aberto divulgam relatório anual de sustentabilidade ou integrado e 31% têm e divulgam suas matrizes de materialidade – que são a base para qualquer estratégia ESG. Quanto à adesão aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), 35% das empresas contribuem com dois ou mais objetivos.

No entanto, os dados acima referem-se apenas a uma amostra de empresas de capital aberto. Quando olhamos para o universo todo, a realidade é outra. De acordo com o IBGE, pouco mais de 10% das empresas industriais brasileiras publicaram relatório de sustentabilidade em 2021. Os dados constam da Pesquisa de Inovação (Pintec) Semestral 2021: Indicadores Básicos. O estudo, que considera um universo de 9.400 empresas com 100 ou mais pessoas empregadas, aponta que somente 12% delas publicaram relatórios de sustentabilidade no ano passado.

Boas intenções

Segundo o relatório Tendências de Gestão de Pessoas 2023, realizado pela Great Place to Work em parceria com a Great People, as empresas estão mais preocupadas com os princípios ESG. O tema foi apontado com uma das prioridades em gestão de pessoas para 13,9% dos participantes, resultado acima do ano passado (9,6%). Porém, pouco mais de uma em cada dez afirmaram este ano que a empresa tem uma política e objetivos com indicadores e metas para ESG, e apenas 13,7% estão em um nível mais estruturado, publicando relatórios de sustentabilidade baseados em padrões internacionais.

Os dados mostram que, apesar de lentamente, estamos avançando, mas ainda falta um bocado para atingirmos um nível ideal, já que consumidores, sociedade e investidores estão dando cada vez mais importância a esses temas na hora de comprar produtos, serviços ou decidir onde investir seu dinheiro. E isso não vale apenas para as empresas de capital aberto.

Sustentabilidade na indústria automotiva: ESG e SAQ 5.0

No caso da indústria automotiva, especificamente, há o questionário SAQ 5.0, que é um questionário de Avaliação de Sustentabilidade que avalia os aspectos relacionados a Gestão, Direitos Humanos e Condições de Trabalho, Saúde e Segurança, Ética nos Negócios, Meio Ambiente, Gestão Responsável da Cadeia de Suprimentos e Fornecimento Responsável de Matéria-Prima. A iniciativa é organizada pela Drive Sustainability, uma parceria automotiva entre BMW Group, Daimler AG, Fiat Chrysler, Ford, Honda, Jaguar Land Rover, Scania CV AB, Toyota Motor Europe, Volkswagen Group, Volvo Cars e Volvo Group. A parceria visa impulsionar a sustentabilidade em toda a cadeia de suprimentos automotiva, promovendo uma abordagem comum na indústria.

Para concluir o SAQ 5.0, a empresa responde a uma série de perguntas relacionadas às seções e critérios mencionados. Dependendo do setor, algumas seções são obrigatórias e outras opcionais, mas todas contribuem para a classificação da empresa, e algumas solicitam a inclusão de evidências para comprovar as repostas.

Fábio Bertolino, Diretor de Sistemas de Gestão da Quality Way, explica que o SAQ 5.0 não é uma certificação, mas sim um questionário, que está sendo exigido por alguns clientes. “Estamos apoiando clientes que precisam aumentar a sua pontuação no SAQ 5.0, e para isso fizemos um levantamento dos pontos que eles precisariam adequar e o esforço necessário para a adequação. Com base nessa análise, definimos juntamente com o cliente como priorizar as ações, políticas, evidências que deveremos gerar para aumentarmos esta pontuação.”
Saiba mais sobre o SAQ 5.0: https://www.drivesustainability.org/saq-5-0/

Por onde começar: ABNT PR 2030

Em se tratando de certificações relacionadas ao ESG, existem inúmeras normas para cada um dos eixos (E, S e G: ambiental, social e governança). Cada um desses eixos possui vários temas relacionados, e cada um dos temas se subdivide em critérios. Por exemplo: dentro do eixo E, ambiental, temos os temas Mudanças climáticas, Recursos hídricos, Biodiversidade e serviços ecossistêmicos, Economia circular e gestão de resíduos, Gestão ambiental e prevenção da poluição.

Relacionados ao primeiro tema, Mudanças climáticas, temos três critérios associados. Um deles é “Eficiência energética”, ao qual estão associadas algumas normas e leis, como a ABNT NBR 16819 – Instalações elétricas de baixa tensão; a ABNT NBR ISO 50001 e 50006 – relacionadas a Sistemas de gestão da energia; a ABNT NBR ISO/CIE 8995-1 – Iluminação de ambientes de trabalho; bem como algumas leis, como a nº 10.295 – Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia, entre outras.

Esse raciocínio se repete para cada eixo (ambiental, social e governança), que vai se subdividir em temas, cada tema com vários critérios e suas normas e leis associadas. Tudo isso está detalhado na PR 2030 (Prática Recomendada), publicada pela ABNT, um documento normativo que visa orientar as empresas nos aspectos de conceituação e incorporação do ESG nas organizações, modelos de avaliação e direcionamento a ser aplicado aos critérios ESG propostos. É um documento fundamental para as empresas que estão no início do processo de incorporação dos aspectos de sustentabilidade e de governança. É imprescindível baixar e ler com atenção a PR 2030: https://www.abntcatalogo.com.br/pnm.aspx?Q=R1p0R3FjTDZIS2RKbUs2c1dhbUhBR2JDYWNMY1QxVlBNOGZ0cC9mNjIraz0

Prestação de contas à sociedade e aos stakeholders

Todas essas práticas são demonstradas por meio dos Relatórios de Sustentabilidade, documentos produzidos e publicados periodicamente pelas empresas prestando contas de suas ações a clientes, consumidores, fornecedores, investidores e à sociedade em geral. Para elaboração desse relatório, podem ser adotadas várias referências e metodologias, mas a mais conhecida e utilizada é o GRI (Global Reporting Initiative). O GRI é uma organização internacional que ajuda empresas, governos e instituições a comunicar e divulgar o impacto de suas ações e negócios no setor sustentável de modo geral e que estabelece as diretrizes para elaboração do relatório.

A divulgação desse tipo de relatório ajuda a melhorar a relação das empresas com seus stakeholders e também facilita a adoção de metas para uma gestão cada vez mais sustentável. “Estamos auxiliando nossos clientes e utilizando o GRI como referência para a preparação do relatório de sustentabilidade destas empresas”, conta Fábio, acrescentando ainda que esses relatórios podem ser avaliados por bancos na liberação de crédito, por exemplo, mas que a avaliação é feita pelo mercado em geral e pela sociedade. No site da GRI é possível baixar todas os standards para auxiliar na elaboração do Relatório de Sustentabilidade: https://www.globalreporting.org/

Treinamento

A Quality Way realiza treinamentos com foco nos temas relacionados ao meio ambiente, responsabilidade social e governança corporativa, com aprofundamento e orientações para incorporar as práticas ESG na organização e disponibilização de modelo de avaliação ESG de acordo com a ABNT PR 2030. O objetivo é capacitar funcionários e executivos a entenderem e aplicarem as melhores práticas em relação a esses aspectos, e também a questão da Maturidade ESG da empresa. O treinamento ESG tem se tornado cada vez mais importante, já que as empresas estão sendo pressionadas por investidores, reguladores e consumidores a se tornarem mais responsáveis social e ambientalmente. Acesse o programa.

Quality Way

Sabia mais!

Jornada de Certificação TISAX

Jornada de Certificação Tisax Mapa Mental Completo Quality Way

A Quality Way realizou, no dia 2 de março, um webinar com o tema “Jornada de Certificação TISAX”, transmitido ao vivo para todos que se inscreveram no evento e conduzido pelo Diretor de Sistemas de Gestão da empresa, Fábio Bertolino. O webinar contou também com a participação de Vladimir Rodrigues, Consultor Especialista em Tisax da Quality Way, Alexandre Oliveira, Gerente de Marketing, Vendas e TI da DQS, empresa de auditoria e certificação, e algumas empresas e clientes da Quality Way, entre outros participantes. 

O objetivo foi promover uma troca de experiências sobre temas atuais e relevantes: a segurança da informação no setor automotivo, as exigências que estão sendo colocadas pelas montadoras e a importância da certificação TISAX nesse contexto.

Fábio Bertolino iniciou destacando que algumas montadoras já colocaram prazos para que seus fornecedores e parceiros se certifiquem, independentemente do porte, o que pressiona ainda mais as empresas que têm negócios com essas montadoras a se planejar o quanto antes, já que o processo leva entre 6 e 9 meses.

Não tente fazer sozinho!

Um dos clientes da Quality Way presentes no webinar, que é fornecedor do setor automotivo, afirmou que a demanda pela certificação surgiu há dois anos, e eles não tinham ideia de como tratar o tema. Tiveram dificuldade de achar informações mais aprofundadas a respeito da TISAX, até chegar ao portal da norma (https://portal.enx.com/en-US/TISAX/). 

Depois de algum tempo, entenderam que o primeiro passo era analisar o catálogo VDA ISA, já que a TISAX é uma certificação composta pelos requisitos da VDA ISA derivada da norma internacional ISO/IEC 27001:2013 e adaptada ao setor automotivo, combinando requisitos das duas e mais alguns requisitos de privacidade. 

Começaram, então, a fazer a auto avaliação, mas aí perceberam que, sozinhos, seria muito difícil cumprir toda a jornada de certificação, ainda mais em um prazo curto e com o cliente pressionando e exigindo a adequação à norma para manter os negócios.

Ponto Importante: VDA ISA

Esse é o primeiro ponto de atenção durante o processo: muitas consultorias oferecem apoio para realizar a certificação na ISO 27001. Só que o catálogo VDA ISA não foca somente na ISO 27001. Ele vai muito além disso, tratando de requisitos específicos que as montadoras exigem que sejam implementados nos sistemas de gestão. Outro detalhe é que cada caso é um caso, já que a jornada vai depender também do escopo da certificação que cada empresa precisa implantar, se inclui protótipos ou não, entre outras particularidades.

Esse cliente explica que, com a Quality Way, eles encontraram o caminho para desenvolver um Sistema de Gestão da Segurança da Informação (SGSI) que os atendeu muito bem, construindo juntos um cronograma de atividades, definindo escopo, prazos e processos e fazendo reuniões periódicas para monitoramento. “Ganhamos tempo, porque conseguimos adotar templates, políticas e processos que já tinham uma estrutura bem próxima daquilo que precisávamos, foi só adaptar. Além disso, conseguimos integrar com os sistemas de gestão já implementados na nossa empresa, como o ambiental, por exemplo.”

Envolva toda a equipe

Ele contou que a empresa investiu muito em treinamento e adequações de infraestrutura para atender aos controles de prototipagem, ressaltando que é fundamental treinar as pessoas, fazê-las entender o que está sendo implementado, como e por quê. A conscientização deve ir desde a portaria até o pessoal da limpeza, porque quando o auditor vai na empresa, ele conversa com todos. “Esse processo agregou muito valor para nós, trouxe mais interação da gestão com as outras áreas, mais transparência, e reforçou a governança. E a auditoria interna que fizemos antes da certificação nos fez enxergar e corrigir alguns pontos a tempo.” 

Outro ponto de atenção destacado durante o webinar é que o envolvimento da direção é um fator fundamental de sucesso, não só devido ao alto investimento, mas porque o projeto envolve praticamente todas as áreas. Além disso, é importante ter um sponsor (patrocinador), que vai fornecer recursos organizacionais e suporte financeiro para o projeto.

Tisax para Comunicação e Marketing

Não são só fornecedores ou fabricantes de peças para automóveis que precisam planejar sua certificação. Parceiros que lidam com informações confidenciais e estratégicas, também devem obter a TISAX. É o caso de outros clientes da Quality Way, agências de comunicação que trabalham com produtos do setor automotivo que ainda não foram lançados e requerem confidencialidade, para não ocorrer vazamento de arquivos como textos, imagens ou filmes. 

Mais um ponto importante abordado no webinar: se ocorre alguma mudança na VDA ISA e os requisitos mudam, quem vai fazer a certificação tem que acompanhar as atualizações. Um cliente conta que escolheu a QW principalmente pela experiência dos consultores, que entenderam exatamente as particularidades da empresa e deram todo o apoio, ajudando a estruturar e monitorar o plano, fazer toda a validação e o treinamento da equipe. 

Na visão deles, a auditoria independente é muito importante para apontar as não conformidades que devem ser trabalhadas, e aceitar essas não conformidades é crucial para corrigi-las e concluir o processo. Por isso, é importante que essa auditoria seja feita sempre por alguém que não participou do processo.

Recomendações para a Jornada de Certificação TISAX

Vladimir Rodrigues, Consultor Sênior da Quality Way, explicou que a certificação envolve inúmeros aspectos, e o grande desafio é adaptar esses vários aspectos e diferentes exigências para cada empresa e cada situação, porque os perfis, as necessidades e os contextos são diferentes em cada caso. Porém, ele listou algumas recomendações que servem para qualquer empresa que vá iniciar o processo de certificação:

  • A direção da empresa tem que participar, apoiar e enxergar o SGSI como estratégico;
  • Estabeleça um comitê para tratar de Segurança da Informação;
  • Não encare como um projeto da área de TI, e sim de todas as áreas;
  • É preciso acompanhar, cobrar, ter cronograma para fazer acontecer;
  • Entenda que uma cultura de Segurança da Informação com maturidade leva tempo para ser construída. Não foque somente em conseguir a certificação, mas nas vantagens de ter um SGSI na sua empresa e os benefícios que isso trará para a segurança e a governança;
  • Muita atenção à parte de conformidade com leis, regulamentos e contratos;
  • Muita atenção com protótipos, aspecto estrutural, segurança dos ambientes e salas.

Por fim, Fabio encerrou dizendo que já existe, hoje, uma tendência de as montadoras japonesas também começarem a exigir a certificação TISAX, a exemplo das alemãs. “A certeza é que, daqui para frente, teremos que dar cada vez mais atenção à segurança da informação, por causa da evolução das tecnologias e aumento da conectividade. Infelizmente, só damos valor à SI quando sofremos alguma invasão ou vazamento de dados. Precisamos nos antecipar e construir um SGSI sólido, e a jornada de certificação TISAX pode ajudar muito nesse processo.”

 

Saiba mais sobre a certificação TISAX neste artigo “TISAX atualização 2023”
Saiba mais sobre o processo de implementação da norma, entraves e riscos envolvidos no processo de adequação TISAX e dicas neste artigo “TISAX dicas de implementação”

TISAX Dicas de Implementação

Tisax Dicas de Implementação: Mapa Mental Quality Way

TISAX: Dicas de Implementação do Protocolo

Dando sequência à nossa série de artigos sobre a certificação TISAX, vamos voltar um pouco o foco para a fase de implementação e suas implicações.

Como você já viu no primeiro artigo, a TISAX é uma certificação desenvolvida especificamente para o setor automotivo e que estabelece parâmetros de segurança da informação, protótipo e proteção de dados. Devido à crescente digitalização, automação e conectividade cada vez maior nos últimos anos, as vulnerabilidades cibernéticas e a possibilidade de falhas e ataques também aumentaram, por isso a norma está sendo cada vez mais exigida de fornecedores e prestadores de serviços das mais diversas áreas parceiras da indústria automotiva.

Na opinião de Vladimir Rodrigues, Consultor Especialista da Quality Way, muitos empresários ainda não se deram conta que a segurança da informação pode afetar, e muito, a continuidade do negócio ou até mesmo fechar empresas. “Com o mundo cada vez mais digital, os negócios estão mais dependentes de dados e informações, que hoje valem muito mais que os próprios produtos produzidos. Os ‘inimigos’ sabem disso, e estão explorando cada vez mais as brechas e vulnerabilidades dos ambientes. Se a cultura empresarial não mudar, muitas empresas irão desaparecer.”

Identificando os níveis de maturidade

O processo de certificação começa com o preenchimento de um questionário que gera uma pontuação da empresa. Dependendo das características do negócio, pode haver níveis de exigência diferentes por parte do cliente (high protection ou very high protection), principalmente se a empresa trabalha com protótipos, caso em que a exigência seria very high. Pelo TISAX, as empresas precisam perseguir uma nota 3 nesse checklist, para demostrar que têm, no mínimo, um sistema de segurança estabelecido.

Confira os vários níveis de maturidade que a empresa pode obter na avaliação:

Níveis de Maturidade

0: INCOMPLETO

Processo não disponível, não implantado ou não adequado para atingir os objetivos

1: PERFORMADO

Processo informal ou parcialmente documentado, com indicadores que atendem objetivos

2: GERENCIADO

Processo documentado e implementado, com indicadores que atendem objetivos

3: ESTABELECIDO

Processo padronizado e integrado ao sistema. Interfaces/ dependências a outros sistemas documentadas e disponíveis. É possível evidenciar a implantação por um período prolongado.

4: PREVISÍVEL

Processo estabelecido, seguido e eficazmente monitorado em postos-chave. Indicadores de performance definidos com valores limitados em pontos onde o processo é considerado insuficientemente eficaz e necessita de ajustes.

5: OTIMIZADO

Um processo previsível objetivando a melhoria contínua está estabelecido. O conceito de melhoria é muito desenvolvido, com aplicação de recursos dedicados.

As etapas de certificação TISAX

Primeiramente, a empresa passará por uma fase de avaliação, seguida pela fase de adequação/implantação, ambas conduzidas pela Quality Way. Depois disso, estará preparada para o próximo passo, que é a certificação propriamente dita, realizada por empresas credenciadas no Portal TISAX (https://portal.enx.com). O processo é feito on-line e começa com o registro no portal e a seleção de uma empresa de auditoria. A pesquisa pode ser feita na plataforma online, e a certificação poderá ser realizada somente por prestadores credenciados.

O consultor Vladimir Rodrigues explica que o processo todo de certificação leva, em média, de 6 a 9 meses, dependendo do nível de maturidade da empresa em segurança da informação, do nível de exigência dos clientes e dos recursos disponíveis para o estabelecimento de um Sistema de Gestão de Segurança da Informação (SGSI).

As fases da Certificação

1. Avaliação de maturidade, baseada nos controles da VDA ISA 

2. Identificação de gaps e elaboração de um plano de ação

3. Implementação das ações 

4. Treinamento dos colaboradores 

5. Auditoria interna para identificar possíveis não conformidades e plano de ação para endereçá-las 

6. Auditoria externa de certificação.

SGSI: Sistema de Gestão de Segurança da Informação

Durante o processo, são avaliados controles de Segurança da Informação, de Protótipo e de Proteção de Dados (GDPR, se aplicável, ou LGPD). A planilha é padrão e todos os controles são aplicados para todas as empresas da mesma maneira, independentemente do setor ou porte da empresa. “Se a empresa não trabalhar ou não possuir protótipo no escopo, ele deve ser retirado da avaliação. Há também um nível de diferenciação na certificação, relacionado ao nível de classificação da informação (confidencialidade: alto ou muito alto), que depende da informação que cada empresa irá tratar”, explica Vladimir.

A certificação é válida por três anos, e não é necessária nenhuma revisão anual. Porém, a TISAX exige que seja realizada regularmente uma auditoria por uma “entidade independente”, para avaliar o SGSI (uma espécie de auditoria interna com uma visão externa). Um cuidado a ser tomado em relação a essa auditoria, na visão de Vladimir, é que, como não há uma cobrança anual formal para manter a certificação, algumas empresas podem não fazer essa auditoria e, depois dos três anos, uma recertificação pode ser necessária, por não ter mantido o sistema adequadamente. “O tema tem que fazer parte da estratégia da empresa, ser acompanhado pela direção e contar com recursos para mantê-lo”, orienta o consultor.

Ele alerta ainda para alguns riscos e entraves que podem criar dificuldades durante o processo, como a falta de envolvimento da direção, considerar o tema Segurança da Informação como operacional e não estratégico, que é um assunto somente da área de TI ou não disponibilizar recursos suficientes. “É um erro achar que a implementação é somente escrever algumas políticas e procedimentos. É preciso entender que cultura e maturidade levam tempo para serem criados em um ambiente empresarial.”

Dicas para uma Certificação TISAX de sucesso!

Vladimir dá as principais recomendações para evitar entraves e cumprir todas as etapas da certificação com êxito:

  • Obter apoio da direção
  • Estabelecer um comitê multidisciplinar para o SGSI
  • Tratar a implementação como um projeto, definindo responsáveis, orçamento, cronograma, etc.
  • Envolver todas as áreas (RH, TI, Engenharia, Projetos, Qualidade, Protótipo, Jurídico, etc.)
  • Treinar e retreinar os colaboradores e stakeholders envolvidos
  • Tentar integrar o novo sistema a outros já existentes (Qualidade, Ambiental, etc.).
Quality Way

No próximo artigo, quarto e último desta série,  vamos falar mais sobre a jornada de certificação, trazendo um resumo do nosso encontro online “TISAX a Jornada de Certificação e Recertificação” que promovemos em 02 de março último.

Nossos artigos sobre o tema:

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TISAX Atualização 2023

TISAX Atualização 2023

TISAX atualização 2023 mostra que, de acordo com o Relatório de Segurança Cibernética Automotiva da Upstream Security, o número de incidentes cibernéticos anuais no setor automotivo aumentou 605% entre 2016 e 2020. O mais recente relatório, de 2023, mostra que os acidentes relacionados às APIs aumentaram impressionantes 380% em 2022, em relação a 2021 (veja o relatório completo aqui).

API, ou “interface de programação de aplicação”, na sigla em inglês, é um conjunto de normas que possibilita a comunicação entre plataformas. Estas podem acabar gerando brechas e possibilidades de ataques cibernéticos. De acordo com um estudo recente da Bitkom, a economia alemã sofreu danos de 223 bilhões de Euros por ataques cibernéticos entre 2020 e 2021.

Recentemente, carros conectados, veículos elétricos e automação industrial têm trazido inovações e vantagens competitivas importantes para a indústria automotiva. Porém, a digitalização e a conectividade abriram as portas para ameaças cibernéticas. Algumas vulnerabilidades podem ser encontradas em sistemas de entrada sem senhas, servidores de back-end e aplicativos móveis.

TISAX exigência de atualização em diversos negócios

É por tudo isso que a certificação TISAX está sendo cada vez mais exigida de fornecedores e prestadores de serviços das mais diversas áreas parceiras da indústria automotiva, como a de processamento de dados ou até mesmo agências de publicidade. 

Assim como em vários outros segmentos, esses fornecedores e prestadores de serviços lidam com informações estratégicas e confidenciais de seus clientes, que por isso exigem, cada vez mais, conformidade com rigorosos requisitos de segurança. 

“As montadoras de origem alemã solicitam o TISAX há algum tempo. Algumas empresas brasileiras estão orientando seus fornecedores para que façam o cadastro no site da ENX ainda neste primeiro semestre, e a certificação no protocolo TISAX até 2024”, explica Fábio Bertolino, Diretor de Sistemas de Gestão da Quality Way.

Ele afirma ainda que a exigência engloba todas as empresas que fornecem serviço para montadoras. “Já atendemos empresas de laboratório de teste de freio e teste de campo com carros, tubos metálicos, difusores de ar, isoladores acústicos, farol, empresas que prestam serviço de manutenção em sistemas, fabricantes de protótipos e até empresas de marketing.” 

Apesar de existirem muitas referências no mercado relacionadas à segurança da informação (NIST, ITIL e ISO 27001, entre outras), a TISAX foi desenvolvida especificamente para o setor automotivo, estabelecendo parâmetros de segurança da informação, protótipo e proteção de dados (GDPR – que tem uma analogia com a LGPD aqui no Brasil).

O que é TISAX

No início de 2017 a VDA (Associação Alemã da Indústria Automotiva) criou o “Trusted Information Security Assessment Exchange” (TISAX), um mecanismo de avaliação e intercâmbio de informações. Aplicável a fornecedores de diferentes níveis e a cadeias de suprimentos mais complexas, a avaliação é um requisito exigido para muitos fabricantes de equipamentos originais, que fornecem para as grandes empresas do setor, e é reconhecida por todos os membros da VDA. 

A TISAX é, portanto, uma certificação composta pelos requisitos da VDA ISA (abreviatura de “Avaliação de Segurança da Informação”) derivada da norma internacional ISO/IEC 27001:2013 e adaptada ao setor automotivo. Ela combina requisitos da VDA ISA com a ISO/IEC 27001 – Apêndice A (Technical Controls), e alguns requisitos de privacidade.

Por meio da plataforma TISAX, as empresas da indústria automotiva podem compartilhar seus resultados online e verificar se um fornecedor já concluiu a avaliação. Pela plataforma é possível ainda contratar provedores de auditoria para realizar uma avaliação. 

O sistema é operado pela Associação ENX (European Network Exchange), que reúne fabricantes, fornecedores e organizações europeias de veículos, contratada pela VDA para conduzir as auditorias e que credencia os auditores e monitora a qualidade da implementação e resultados das avaliações.

TISAX vs ISO 27001

Quem já possui a certificação ISO 27001 pode precisar fazer a atualização no protocolo TISAX também, pois são certificações distintas. Entretanto, se a empresa já possui essa ISO, conseguirá mais facilmente a certificação TISAX. Os dois padrões são compatíveis e podem funcionar juntos para ajudar a organização a melhorar os processos e os controles de segurança da informação.

Apesar de se basear em elementos chave da norma ISO/IEC 27001, a TISAX se concentra nos elementos mais relevantes para a indústria automotiva. “Pode-se começar pela TISAX para depois ir para a ISO 27001”, explica Fábio, acrescentando que a grande diferença entre as duas é que a 27001 define uma série de controles de forma mais detalhada. A TISAX, por ser direcionada para o setor automotivo, define critérios mais específicos para esse ramo. “A TISAX tem uma aba no checklist que trata exclusivamente dos cuidados no desenvolvimento de um protótipo, para que as informações não vazem.”

Confira nesse artigo sobre a TISAX as principais diferenças em relação à ISO 27001, os benefícios da certificação e principais aspectos avaliados durante o processo.

Saiba mais sobre a ISO 27001 e a segurança da informação.

SÓ A 27001 NÃO ATENDE A VDA ISA

TISAX avaliação e atualização online

O processo de avaliação, da empresa que busca a certificação TISAX, é feito on-line, por meio do portal TISAX. 

Começa com o registro no portal e a seleção de uma empresa de auditoria. A pesquisa pode ser feita na plataforma online, e a certificação poderá ser realizada somente por prestadores credenciados. A Quality Way prepara a empresa para obter a certificação – que leva cerca de seis meses, dá todas as orientações e acompanha todas as etapas do processo. 

No próximo artigo, vamos falar mais sobre a Jornada de Certificação, os aspectos e requisitos avaliados e dar dicas de implementação do protocolo TISAX, com os principais pontos de atenção, entraves e riscos envolvidos no processo.

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Certificação TISAX na COPLAC

Certificação Tisax na Coplac

COPLAC

Empresa líder no setor de isolantes termo-acústicos e revestimentos para a indústria automotiva, têm como foco contribuir para a fabricação de veículos cada vez mais seguros e confortáveis.

Em seus laboratórios, desenvolvem novos materiais e produtos que são fabricados seguindo requisitos técnicos de estilos e especificações para o conforto termo-acústico dos veículos automotores, produzimos isoladores, anti-ruídos, absorvedores, revestimentos e tapetes.

O resíduo industrial, historicamente tratado como lixo, é matéria-prima em potencial para a COPLAC. Utilizando avançados conceitos de reciclagem, transforma estes rejeitos em material de primeira qualidade, produzindo peças que podem ser recicladas.

A meta da empresa é oferecer produtos e serviços que atendam às necessidades de utilização, aplicação, normas, especificações, regulamentos e principalmente satisfaçam as expectativas dos consumidores finais.

Objetivos do Projeto de Certificação Tisax na Coplac

Obter a certificação TISAX VDA ISA 5.1. em função do requerimento do cliente Volkswagem para fornecedores certificados na norma.

Principais Desafios

  • Prazos exíguos
  • Antecipação em 2 meses nas datas de auditoria externa planejadas
  • 95% da gestão em modelo virtual
  • Plano com mais de 180 ações para execução em 5 meses de projeto
  • Compartilhamento de recursos do projeto com as atividades diárias e outros processos de auditoria (IATF, etc…)
  • Estabelecimento de maturidade no SGSI (Sistema de Gestão de Segurança da Informação) em curto espaço de tempo.

Entregas da Quality Way na consultoria Tisax

  • Gestão do Projeto
  • Realização de assessment VDA ISA para avaliação de maturidade da empresa
  • Criação e Gestão de Plano de Ação com mais de 180 ações
  • Apoio na revisão e criação de mais de 40 políticas/procedimentos
  • Apoio consultivo nos controles organizacionais, técnicos e nos processos
  • Apoio na construção e estabelecimento de um SGSI
  • Treinamento em Segurança da Informação + TISAX + LGPD para aproximadamente 100 colaboradores
  • Realização de Auditoria Interna
  • Suporte na 1ª reunião de Análise Crítica da Direção
  • Apoio nos itens identificados na Auditoria Interna
  • Apoio no preenchimento da Planilha VDA ISA para envio para certificadora externa
  • Apoio geral em todo o processo de certificação.

Principais Resultados

  • Estabelecimento de um SGSI mais robusto, com maior governança e controles
  • Mais de 40 políticas/documentos/processos gerados
  • Aproximadamente 100 colaboradores treinados
  • Aproximadamente 1000 horas de projeto em 6 meses com apenas 5 recursos (4 Coplac e 1 Quality Way).
  • Certificação TISAX na Coplac obtida em outubro/2022.

Palavra de Consultor

O projeto de certificação TISAX na Coplac foi um desafio muito interessante ! 

Participamos ativamente em todas as fases: Assessment, Desenho do Plano de Ação, Implantação dos Controles e Ações, Pós implantação, Acompanhamento da Auditoria Externa até a conquista do desejado Selo TISAX. 

O grande desafio do projeto foi o tempo e a disponibilidade dos recursos para estabelecer um SGSI. O fator tempo, que por questões de negócio, foi afetado devido à necessidade de antecipação das entregas, do plano original, em 3 meses. O fator recursos, porque o estabelecimento de um Sistema de Gestão de Segurança da Informação (SGSI) não é fácil ! Pois, envolve muitos recursos e esforços da empresa. Mas tudo funcionou perfeitamente, em grande parte pela dedicação dos membros do projeto por parte da Coplac e pelo apoio da Direção.

Resultado final do projeto foi a conquista do Selo TISAX que confere à Coplac requisitos de Segurança da Informação e Controle de Protótipos, com padrão de reconhecimento internacional, necessários para a prestação dos seus serviços.

                                                                                                                                                                                                                                   Vladimir Rodrigues – Consultoria TISAX da Quality Way 

Quality Way

Hoje a  Quality Way atua com consultoria Tisax em diversas empresas que estão buscando a Certificação na norma. 

Quer saber mais sobre esta certificação?  Clique aqui!

Interessado em levar a certificação para seu negócio? Fale com a gente!

ESG na Indústria Farmacêutica

ESG na Indústria Farmacêutica

As melhores práticas de ESG na indústria farmacêutica!

O ESG na indústria farmacêutica mobiliza diversos fatores, passando por toda a cadeia, da indústria ao varejo.

No varejo, por exemplo, o tema foi um dos insights debatidos no Master Class, um evento 100% digital, promovido pela Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), que reuniu em maio cerca de 1000 líderes e gestores do varejo e da indústria farmacêutica nacionais, nos dias 25 e 26 de maio. 

Sob o tema “Liderança e gestão em tempos de incertezas e transformação”, discutiram-se os novos contornos dos conceitos de gestão que se moldaram durante a pandemia e se perpetuarão no pós-pandemia. 

O conceito de Environmental, Social and Governance (ESG), por exemplo, passa a ser visto como competência essencial, e não se pode falar de liderança e gestão sem falar de ESG. 

“O conceito de sustentabilidade não é novo. Suas discussões tiveram início em 1972, em uma Conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente. Desde então, este tema só vem ganhando maior abrangência e mais força não somente nos órgãos regulamentadores, mas também no mercado financeiro”, explica Jéssica Costa consultora em Supply Chain da AGR Consultores.

“Prova disso é que temos, inclusive, índices específicos nas Bolsas de Valores, critérios para aprovação de crédito no mercado, que prezam por estes aspectos”, diz a consultora.

Afinal, o que é ESG?

O “E” da sigla está relacionado a medidas ambientais, e a mudança climática tem sido o maior foco para os investidores, além da preocupação com as emissões de gases de efeito estufa, qualidade do ar e gestão da água. 

O “investimento verde” foi impulsionado na década de 1990, quando alguns investidores passaram a focar nos setores que usavam práticas de negócios ambientalmente conscientes.

O “S” da sigla refere-se a medidas sociais e remonta aos anos 60 e 70, com o movimento dos Direitos Civis e da Guerra do Vietnã. Em 1972, um dos pioneiros na defesa do investimento sustentável, Milton Moskowitz, criou uma lista de “ações socialmente responsáveis”, incluindo os primeiros fundos sustentáveis. 

No último ano, o investimento social volta à tona em defesa do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) e dos efeitos devastadores da pandemia da Covid-19 sobretudo em grupos raciais e étnicos minoritários.

Empresas farmacêuticas levantaram a voz em junho passado contra as desigualdades raciais, violência policial e racismo sistêmico. “Os líderes na comunidade empresarial podem ser uma força unificadora. Eles podem ser uma fonte de oportunidade”, disse Ken Frazier, então CEO da Merck e o único executivo-chefe da indústria farmacêutica afro-americano.

Já o “G” em ESG, ou governança, diz respeito às políticas de gestão da companhia, quem atua no conselho, remuneração dos executivos, até políticas anticorrupção e de prevenção de práticas ilegais, como fraude e suborno (compliance). Ou seja, é crescente a preocupação com a transparência e com a honestidade nos negócios.

ESG na Indústria Farmacêutica

O interesse corporativo em agregar aspectos ESG só aumenta, e esse novo parâmetro dá as cartas na indústria farmacêutica, que tem como maior gargalo o preço dos medicamentos. Esse aspecto influencia as avaliações ESG, pois dificulta a acessibilidade aos produtos.

Relatório ESG produzido pelo grupo de inteligência de mercado Alva, para o portal Fierce Pharma, analisou e pontuou os 26 tópicos ESG padrão diferentes para 20 empresas farmacêuticas de 1º de janeiro a 30 de abril. A seguir, listamos o ranking das 10 maiores empresas farmacêuticas ESG em 2021 e seus aspectos de maior destaque.

As 10 maiores empresas ESG na Indústria Farmacêutica em 2021

1. Boehringer Ingelheim
2. Biogen
3. Astellas
4. Novo Nordisk
5. Novartis
6. Amgen
7. Gilead
8. Bayer
9. Roche
10. Sanofi (empate)
10. Takeda (empate)

1. Boehringer Ingelheim

A Boehringer Ingelheim obteve a melhor classificação entre as empresas farmacêuticas para ESG no início de 2021, com uma pontuação Alva de +49 em uma escala que vai de -100 a +100. Teve notas altas em diversidade e inclusão e também em direitos humanos e relações com a comunidade.

  • Engajamento de funcionários, diversidade e inclusão
  • Direitos humanos e relações comunitárias
  • Qualidade e segurança do produto

2. Biogen

A Biogen se saiu melhor do que a maioria das farmacêuticas na categoria de acessibilidade. O aducanumab, medicamento da Biogen para o Alzheimer, foi aprovado em 7 de junho, mas foi aprovado após o período de avaliação ESG de Alva. A capacitação econômica também faz parte do plano da Biogen, que já depositou US$ 10 milhões no OneUnited Bank, o maior banco de propriedade de negros na América, para apoiar seu foco na capacitação econômica dos negros.

  • Engajamento, diversidade e inclusão do funcionário
  • Direitos humanos e relações comunitárias
  • Gestão de água e esgoto
  • Acessibilidade

3. Astellas

Astellas foi uma das duas farmacêuticas — Boehringer Ingelheim foi a outra — entre as 10 principais empresas que não obtiveram nenhuma cobertura negativa significativa no período de estudo ESG de Alva. Isso é relevante, considerando que os aumentos anuais dos preços dos medicamentos em janeiro são um problema para a reputação das empresas farmacêuticas, pois são amplamente cobertos pela mídia e classificados pela GoodRx.

  • Engajamento, diversidade e inclusão do funcionário
  • Direitos humanos e relações comunitárias
  • Qualidade e segurança do produto
  • Comportamento competitivo

4. Novo Nordisk

Novo Nordisk relata seus esforços ESG, mantendo um portal online detalhando 18 categorias diferentes, cobrindo questões que vão desde o consumo de energia e água até a ética nos negócios e os direitos humanos.

  • Engajamento do funcionário, diversidade e inclusão
  • Direitos humanos e relações comunitárias
  • Qualidade e segurança do produto
  • Acesso e acessibilidade

5. Novartis

A Novartis teve uma boa pontuação em acesso a medicamentos. A Novartis publica seus esforços anuais de ESG em seu relatório “Novartis in Society”. Ao apresentar os últimos esforços da Novartis para 2020 no relatório, o presidente Joerg Reinhardt escreveu: “Essas medidas demonstram a importância crescente do ESG para o conselho de diretores e a alta administração da Novartis. Metas ambiciosas são necessárias para reduzir a poluição e apoiar a equidade na saúde em escala internacional.”

  • Comportamento competitivo
  • Saúde e segurança do funcionário
  • Acesso e preço acessível

6. Amgen

A Amgen relata seus esforços ESG em seu site nas categorias governança corporativa, responsabilidade, meio ambiente e diversidade e inclusão e pertencimento.

Ele também publica um relatório anual, que em 2020 destacou o valor de US$ 1,5 bilhão em medicamentos doados por meio de sua Amgen Safety Net Foundation, 24 milhões de alunos atendidos no ano passado por meio de programas de educação científica da Amgen Foundation e sua promessa de carbono neutro.
Em janeiro, a Amgen prometeu gastar US$ 200 milhões para mudar a neutralidade de carbono, reduzir o uso de água em 40% e o descarte de resíduos em 75%.

  • Direitos humanos e relações com a comunidade
  • Gestão da cadeia de abastecimento
  • Gestão de energia
  • Acessibilidade

7. Gilead

Gilead ganhou destaque no ano passado com Remdesivir, agora conhecido como Veklury, o primeiro tratamento a obter a aprovação do FDA para tratar pacientes com Covid-19. Mas atraiu alguma atenção negativa, devido à escassez de suprimentos nos primeiros dias — e novamente, mais recentemente, na Índia em meio a outra onda de Covid-19 — gerou dúvidas. Ainda assim, a classificação ESG da Gilead obteve uma pontuação de acesso positiva, graças às medidas recentes para aumentar o acesso na Índia.
  • Engajamento do funcionário, diversidade e inclusão
  • Acesso
  • Acessibilidade

8. Bayer

A Bayer teve boa pontuação em Direitos Humanos. A missão de sustentabilidade da Bayer “Saúde para Todos, Fome para Ninguém” abrange suas divisões farmacêutica e de balcão, bem como seu negócio de agricultura, que foi impulsionado pela aquisição da Monsanto.

A empresa ganhou recentemente o reconhecimento da Parceria Público-Privada das Nações Unidas por seu programa Better Life Farming, que apoia pequenos agricultores na Indonésia, Índia e Bangladesh.

  • Direitos humanos e relações comunitárias
  • Engajamento do funcionário, diversidade e inclusão
  • Gestão da cadeia de abastecimento
  • Qualidade e segurança do produto
  • Acessibilidade

9. Roche

Os esforços da Roche em testes e parcerias em tratamentos vinculados à pandemia ajudaram a aumentar sua pontuação ESG geral. Embora o design do produto e a gestão do ciclo de vida da Roche tenham pontuado excepcionalmente bem, em grande parte graças aos seus testes de diagnóstico rápido para Covid-19, sua pontuação caiu nas práticas de vendas no início de 2021.
  • Design de produto e gerenciamento do ciclo de vida
  • Privacidade do cliente
  • Segurança de dados
  • Práticas de venda e rotulagem de produto
  • Acesso e acessibilidade

10. Sanofi (empate)

A Sanofi empatou com a Takeda no 10º lugar na avaliação ESG da Alva, apesar do conjunto marcadamente diferente de medidas positivas e negativas de cada empresa.

A aprovação da Sanofi em medidas que incluem comportamento competitivo, práticas de vendas e rotulagem de produtos compensou algumas pontuações negativas em áreas como acessibilidade e gestão da cadeia de suprimentos.
Uma das melhores pontuações da Sanofi foi conquistada em parte por sua promessa de fabricar 125 milhões de doses da vacina Covid-19 da Pfizer e da BioNTech em sua fábrica em Frankfurt, Alemanha.

  • Comportamento competitivo
  • Práticas de venda e rotulagem de produtos
  • Acesso e acessibilidade
  • Gestão da cadeia de suprimentos

10. Takeda (empate)

A Takeda está pressionando por um mundo com maior igualdade de gênero e, em março, seus executivos e funcionários aumentaram a conscientização sobre o problema com um esforço #ChoosetoChallenge nas redes sociais. Os funcionários ergueram cartões com declarações do tipo “Eu escolho desafiar os estereótipos e preconceitos de gênero”.

A farmacêutica japonesa também comprometeu US$ 3,85 milhões ao longo de cinco anos para trabalhar com o Children’s National Hospital Rare Disease Institute em Washington DC, em um programa de protocolo clínico inédito, que tem como objetivo padronizar o processo de diagnóstico e atendimento às pessoas com doenças raras.

  • Comportamento competitivo
  • Gestão da cadeia de suprimentos
  • Direitos humanos e relações com a comunidade
  • Acessibilidade

ESG veio pra ficar?

As práticas e políticas nas áreas ambiental, social e de governança das empresas não são uma chuva passageira de verão. O tema está na mesa de gestores e também de investidores. 

“O ESG é uma tendência mundial e veio pra ficar. Basta observar a movimentação de instituições financeiras, incluindo bolsas de valores e startups que estão nascendo para cumprir fins específicos de ESG. As empresas que não estiverem se auto avaliando e fazendo deste assunto uma agenda prioritária estarão arriscando sua própria sobrevivência”, afirma Priscila Saad, consultora em Supply Chain da AGR Consultores.

“De redução de riscos de autuações, fraudes e sustentabilidade do negócio a aumento de clientes que privilegiam suas compras de produtos ou serviços de empresas alinhadas a boas práticas de ESG, os benefícios são inúmeros”, complementa Jéssica Costa, sócia e head de projetos de eficiência operacional.

A preocupação das empresas com a tríade formada pela sustentabilidade, bem-estar social e boa governança corporativa, que caracteriza a “nova onda verde”, pode impactar diretamente nos investimentos. 

De acordo com o estudo de Mudanças Climáticas Globais e Serviços de Sustentabilidade da EY Financial Accounting and Advisory Services 2018, com investidores institucionais, há um consenso global de que os fatores ESG são determinantes para os acionistas e investidores tomarem decisões para impactar e gerar valor de longo prazo aos que podem ser afetados pela companhia. Investidores vão além das informações sobre o desempenho financeiro das empresas. 

Segundo Priscila Saad, a importância das melhores práticas em ESG tem aumentado progressivamente. “Clientes e consumidores estão valorizando com maior intensidade e se conscientizando sobre as posturas e ações empresariais e de seus representantes”, afirma.
“Desta forma, o espaço para atuação das empresas que miram tão somente a sustentabilidade financeira de seu negócio está ficando diminuto”, conclui.

Onde está o fio da meada do ESG?

Priscila Saad explica que as práticas de ESG contam com ações voltadas para o meio ambiente, sustentabilidade econômico-financeira, responsabilidade social e governança corporativa, esta última, baseada, e não somente, na lei da FCPA – Foreign Corrupt Practices Act, estabelecida nos anos 70, mas que explodiu nos anos 2000 com escândalos midiáticos de empresas multinacionais renomadas.

E onde toda essa história começa nas organizações? “Pelo assertivo e profundo mapeamento e conhecimento dos processos”, afirma. A começar pela identificação franca das fragilidades e oportunidades internas, construção e apropriação da matriz de riscos e o estabelecimento de estratégias e planos de ação de curtíssimo a longo prazo, garantindo a melhoria contínua.

“Queremos ressaltar hoje que, mesmo para temas de alta complexidade e abrangência como o ESG, tudo começa no básico, em olhar para dentro de nossas organizações, de forma honesta e transparente, desafiando o próprio modelo, o mindset e times. Sonhar alto e traçar um caminho orientado para o cumprimento destes objetivos é responsabilidade de todos nós e dá para crescer de forma ética e sustentável”, finaliza.