
A sigla ESG foi criada em 2004. Desde então, coisas relevantes continuarão sendo feitas em benefício do planeta, seres humanos, empresas e economia. Após 21 anos, o movimento ESG revela uma maturidade e uma força animadoras, quem ainda pensa que ele é um modismo, está mal informado.
No Brasil, o ESG aportou devido a: (i) pressão de investidores e mercados globais (em especial a União Europeia) que passaram a exigir evidências de boas práticas, análises de riscos sociais e ambientais, relatórios de sustentabilidade transparentes; (ii) atualização da legislação, acordos internacionais e compromissos climáticos; e, claro, (iii) a crescente conscientização das pessoas, da sociedade e dos líderes empresariais.
Por conta disto, estamos assistindo a um movimento crescente, e irreversível, de adoção de uma agenda ESG por praticamente todos os setores da nossa indústria. Entretanto:
- Esse avanço é mais consistente e visível nas grandes empresas, especialmente as que estão na bolsa ou atuam em vários países, é preciso lembrar que algumas delas adotam práticas de proteção ao meio ambiente mesmo antes do surgimento da sigla ESG, porém, isto era feito de forma pontual e não como parte de uma agenda estratégica, estruturada e integrada.
- As médias e pequenas empresas enfrentam várias situações e dificuldades para adotar práticas ESG, entre as quais se destacam:
- falta de recursos financeiros: adotar práticas ESG exige investimento em aprendizado, consultorias, novas tecnologias, certificações, melhorias operacionais etc., e o retorno é de médio e longo prazos;
- cultura organizacional resistente a mudanças e/ou que mantém o foco na sobrevivência );
- inexistência de áreas e profissionais especializados em governança e sustentabilidade – por conta disso, os gestores têm grande dificuldade para transformar os propósitos e conceitos ESG em diretrizes e práticas plenamente integradas ao cotidiano das empresas;
- falta de um método para medir e avaliar – de forma integrada e consistente – os riscos e os impactos ambientais, sociais e de governança;
- falta de pressão externa: geralmente, médias e pequenas empresas não têm acionistas, investidores ou órgãos reguladores exigindo transparência ESG. E, por fim,
- muitos gestores de médias e pequenas empresas ainda não compreendem inteiramente o que significa ESG – há quem categorize o ESG como custo e que sua adoção impacta pouco as estratégias, os resultados e o valor da empresa.
Setores que lideram as boas práticas ESG
A adoção de práticas ESG pela indústria brasileira vem crescendo de forma consistente, porém, alguns setores, impulsionados por exigências regulatórias, oportunidades de mercado e pela pressão de investidores, estão à frente: agroindústria, construção civil, energia, mineração, papel e celulose, e químico e cosméticos.
Agroindústria: O agronegócio brasileiro vem adotando práticas de agricultura regenerativa, que restauram o solo, conservam a água e ampliam a biodiversidade. Além disso, tecnologias de ponta estão sendo usadas para reduzir emissões de gases de efeito estufa e melhorar a eficiência produtiva. No pilar social, o foco é o bem-estar do trabalhador rural e a inclusão das comunidades locais, reforçando um modelo de desenvolvimento mais humano e sustentável no campo.
Construção civil: Este setor vem se reinventando com materiais de baixo impacto, como bioconcreto, bambu, alumínio transparente e cimento de baixo carbono. As construções modulares pré-fabricadas ganham espaço por reduzir desperdícios e acelerar obras sustentáveis. Edifícios inteligentes, capazes de monitorar consumo e emissões em tempo real, tornam-se o novo padrão. Paralelamente, cresce o compromisso com condições justas e seguras de trabalho, ampliando o impacto positivo do setor.
Energia: Este é o setor mais avançado em ESG no Brasil. A combinação entre forte regulação, pesquisa tecnológica e investimentos em renováveis — especialmente eólica, solar e biomassa — vem impulsionando a transição para uma matriz mais limpa. A busca por eficiência energética e o uso de tecnologias de controle ambiental colocam o país entre as referências globais em inovação sustentável no setor.
Mineração: Historicamente vista como vilã ambiental, as indústrias mineradoras estão adotando metas de carbono zero, além de práticas para reduzir gases tóxicos e gerir rejeitos de forma sustentável. Certificações e adesão a normas internacionais de governança e responsabilidade social reforçam o compromisso com transparência e ética.
Papel e celulose: É um dos setores mais organizados em sustentabilidade; ele aposta na economia circular: energia renovável, reúso de água e, claro, aproveitamento de resíduos industriais como biomassa etc. As indústria também se destacam por projetos sociais estruturados e forte governança, que contribuem para o desenvolvimento das comunidades em que atuam e fortalecem sua imagem global.
Químico e cosméticos: Esta indústria avança com práticas de gestão de resíduos, controle de emissões e segurança química. Os investimentos em tecnologias limpas e processos eficientes visam reduzir o impacto ambiental e proteger a saúde dos trabalhadores. O setor também vem integrando critérios ESG à estratégia corporativa, em alinhamento com padrões internacionais.
Tendências ESG - Pesquisa CNI
A adoção de uma Agenda ESG (inovação tecnológica, biomassa, materiais sustentáveis, logística reversa e energias limpas, especialmente no Nordeste, onde as energias eólica e solar crescem acima da média nacional) se tornou estratégica para a indústria, promovendo ganhos de competitividade, redução de riscos e valorização da reputação (que dá acesso a melhores fontes de investimento).
Um estudo realizado em 2025 pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), com foco em Economia Circular, revelou que 71% das indústrias pesquisadas já implementam ou planejam estratégias ESG, mas existem desafios para facilitar a implantação de práticas mais sofisticadas em pequenas e médias empresas, por exemplo, maior acesso a crédito sustentável e incentivos regulatórios.
De acordo com este estudo:
- Seis em cada dez indústrias adotam de práticas de economia circular: reciclagem de materiais, uso de matéria-prima secundária e desenvolvimento de produtos mais duráveis. Essas medidas resultam em diminuição de custos, valorização da imagem corporativa e estímulo à inovação, favorecendo setores como calçados, biocombustíveis, eletrônicos e papel;
- Cerca de metade das indústrias brasileiras usa energia renovável, com destaque para o Nordeste, que lidera o uso dessas fontes. Essas ações colaboram para a redução da pegada de carbono e posicionam o Brasil como protagonista na transição para uma economia de baixo carbono;
- A adoção de uma Agenda ESG pela indústria nacional fortalece o valor das empresas e isto facilita o acesso a financiamentos verdes e mercados internacionais;
- As industrias são estimuladas por normas ambientais mais rigorosas e demandas da sociedade por responsabilidade social e ambiental. Eventos internacionais como a COP30 elevam expectativas e geram oportunidades de avanço para a indústria brasileira, destacando a necessidade de políticas públicas de apoio à sustentabilidade.




